18 de janeiro de 2010

Triste sina a de alguns povos

A história repete-se. O mundo assiste a mais um fenómeno natural que devassa e destrói a vida a milhares de pessoas.
Depois de se assistir às imagens e relatos da desgraça, o mundo dito civilizado, toca a reunir esforços para angariar fundos com o objectivo de minimizar a desgraça alheia. Será apenas solidariedade com o próximo ou e também remorsos por até aquele momento nada se ter feito para colmatar as lacunas existentes no nível de vida a que um povo esta sujeito!?
Nada tenho a opor à ajuda pronta prestada pelos Estados Unidos da América, União Europeia, Reino Unido, Brasil e tantos outros a esta desgraça humanitária a que se assiste no Haiti. O problema é o antes…
Como é que nos dias de hoje se pode viver de consciência tranquila a ver um povo viver em absoluta miséria. Um povo que devastou uma floresta praticamente inteira só para obter recursos para se aquecer e fazer lume. Onde se vive, se é que se pode chamar a isso viver, da ajuda humanitária.
Mas não é o único país, onde todo um povo vive em condições não humanas.
Veja-se o caso de Angola, onde mais uma vez, o presidente, José Eduardo dos Santos adiou as eleições. E a Comunidade Internacional fecha os olhos, faz-se mouca, enquanto a miséria reina nos lares, os lordes do governo e suas famílias vivem na riqueza divina. Controlam as empresas que trabalham para o estado e ainda se dão ao luxo de investir e controlar empresas em outros países, onde Portugal não é excepção. E ninguém questiona a origem deste dinheiro. Dinheiro que podia e devia ser investido primeiramente na educação e em infra-estruturas que dêem dignidade às pessoas e à criação de empregos. É claro que percebo, que países destes não querem jovens com alto ou até médio nível educacional. Assim é mais fácil de serem submissos.
Há que criar novas medidas. Há que pressionar estes países a apostar na Educação, não de “lavagem cerebral”, mas de um ensino a sério. Não se pode comprar petróleo em troca de dólares ou Euros e fingir que está tudo bem. Se precisamos dos seus recursos, a verdade é que eles também o precisam de vender. Há que negociar.O “bloqueio económico” não é solução. Só faz sofrer ainda mais um povo.
Mas o que Angola tem a ver com o que aconteceu no Haiti? Nada! A não ser as condições miseráveis de vida em que o povo vive com toda uma Comunidade Internacional a olhar para o lado.
Custa-me ver as imagens vindas do Haiti, onde se vê pessoas de sorriso de orelha a orelha, por ter conseguido um pacote de bolachas. Custa-me ouvir um jornalista dizer que tem comida na mala do carro e tem de a comer às escondidas. Custa-me assistir às pessoas feridas e a finar à beira de um passeio sem qualquer tipo de ajuda. Crianças ao lado de cadáveres. Organizações humanitárias a distribuírem comida, atirando-a para o meio do povo faminto, como se atira milho às galinhas. Mas acima de tudo, o que me custa mais é ver que no mundo existem povos nestas condições e nada se faz… ficasse à espera que aconteça uma catástrofe natural, para então intervir.
Triste sina de um povo que só pode contar com a ajuda humanitária. Um bem-haja a essas organizações, como a AMI e a UNICEF que só mais não fazem porque não podem.

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